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A colaboração dos procuradores da Suíça é um dos fatores que Dallagnol chama de “inédito alinhamento de planetas”, que possibilitou o início da montagem de um vasto quebra-cabeças que vem revelando os esquemas de desvio de recursos públicos no Brasil.
Entre os outros “planetas” que vêm garantindo o sucesso das investigações está a colaboração dos réus com a Justiça (delação premiada), ao menos 28 casos só na Lava Jato. E também o que se convencionou chamar de “efeito Marcos Valério”, condenado a 40 anos de prisão por ter assumido sozinho o jogo de corrupção em que se envolveu (mensalão).
O sistema de corrupção no Brasil, revelado pela Operação Lava Jato transcende a Petrobrás. Sua magnitude deve alcançar R$ 200 bilhões por ano, aponta Dallagnol, com base em avaliações feitas pela ONU e pelo Banco Mundial. (A Fiesp, lembra o procurador, estimou a máquina de corrupção no País em algo em torno de R$ 80 bilhões por ano.)
Pretender que cada ponta das investigações corresponda a um foco diferente de corrupção é fazer o jogo desse sistema. Essa é a principal razão pela qual Dallagnol entende que o “fatiamento” da Operação Lava Jato, pretendido pela defesa dos corruptos no Supremo, destina-se a prejudicar as investigações e o desmonte do esquema agora iniciado.
A estratégia de defesa dos réus consiste em acionar os mecanismos que favorecem a impunidade. É a impunidade que garante o sucesso da corrupção, por torná-la opção comercial mais lucrativa: pagar o pedágio no sistema é mais barato do que não pagar, tanto para garantir os negócios quanto a manutenção de gente em cargos-chave destinados a preservar o funcionamento de propinodutos.
Por isso, Dallagnol está empenhado em obter apoio popular para aprovar o projeto nacional de 10 medidas cujo objetivo é quebrar o círculo vicioso do sistema de propina pública e privada. Até esta terça-feira, a campanha já contava com 269 mil assinaturas de um total de 1,5 milhão pretendido para apressar a tramitação no Congresso Nacional. (Tanto as explicações desse movimento quanto o formulário destinado a recolher as assinaturas podem ser encontrados no site: www.combateacorrupcao.mpf.mp.br/10-medidas.)